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Youtuber cristão é condenado a trabalho forçado no Egito

16 de janeiro de 2026

Um cristão egípcio que atua como criador de conteúdo no YouTube foi condenado a cinco anos de trabalhos forçados no Egito após publicar vídeos em defesa do cristianismo. A informação foi divulgada pela Fundação para a Defesa das Democracias.

O youtuber Aughustinos Samaan recebeu a sentença sob acusações de “desprezo à religião” e “uso indevido das redes sociais”, relacionadas a conteúdos de apologética cristã. Segundo a organização Coptic Solidarity, Samaan mantém um canal com cerca de 100 mil inscritos e se dedica a responder a materiais anticristãos que circulam amplamente no país. Ele também atua como pesquisador em religião comparada.

Samaan foi preso em outubro do ano passado e permaneceu inicialmente 15 dias em detenção preventiva. A analista de pesquisa da Fundação para a Defesa das Democracias, Mariam Wahba, informou que o período inicial se estendeu por meses. “Ao manter indivíduos detidos e isolados por longos períodos, o sistema jurídico egípcio pune efetivamente os detidos muito antes de o caso chegar a julgamento”.

Wahba explicou que a legislação egípcia estabelece limites máximos para a prisão preventiva — seis meses para contravenções, 18 meses para crimes e 24 meses para crimes puníveis com prisão perpétua ou pena de morte. Ela afirmou que, na prática, promotores renovam detenções quinzenais por meses “sob o pretexto de investigações em andamento”, dificultando julgamentos ou a libertação dos réus. A analista citou o caso do egípcio-americano Mustafa Kassem, que permaneceu cinco anos em prisão preventiva antes de morrer sob custódia em 2020.

Outro caso mencionado por organizações de direitos humanos é o de Saeed Mostafa, muçulmano convertido ao cristianismo, preso semanas antes de Samaan e ainda detido. Ele responde a acusações como “pertencer a uma organização terrorista” e “desprezo pelo Islã”.

A Coptic Solidarity informou que Samaan foi condenado sem acesso pleno à defesa. A organização declarou que advogados não tiveram acesso aos autos nem oportunidade efetiva de representar o réu. “Essas circunstâncias levantam sérias preocupações quanto às garantias de um julgamento justo e ao direito fundamental à defesa, previstos na Constituição egípcia e na legislação nacional”.

Embora a Constituição do Egito preveja liberdade de expressão e de crença, a Coptic Solidarity afirmou que essas garantias são aplicadas de forma restrita. Mariam Wahba declarou que o caso evidencia a vulnerabilidade dos cristãos. “Este processo sinaliza que a expressão religiosa minoritária permanece condicional e punível”.

Em 2026, o Egito ocupa a 42ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, que classifica os 50 países onde cristãos enfrentam maior perseguição. A organização Portas Abertas informou que a maioria das violações ocorre em nível comunitário, incluindo assédio, expulsões após acusações de blasfêmia e ataques em áreas rurais do Alto Egito e em regiões urbanas economicamente vulneráveis.

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