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Cemitério em Judá revela práticas funerárias sob domínio persa

13 de abril de 2026

Uma equipe de arqueólogos de Israel e da Alemanha encontrou restos mortais de até 89 indivíduos, em sua maioria bebês e crianças pequenas, dentro de uma antiga cisterna em Tel Azekah, sítio arqueológico localizado a cerca de 30 quilômetros a sudoeste de Jerusalém. Os pesquisadores informaram que esta é a primeira descoberta desse tipo no país.

A descoberta ocorreu entre 2012 e 2014, durante escavações conduzidas pela Expedição Lautenschläger Azekah, e foi publicada na revista Palestine Exploration Quarterly. Os estudos indicam que os restos mortais datam do início do período persa, há aproximadamente 2.500 anos.

O arqueólogo Oded Lipschits, professor da Universidade de Tel Aviv e líder da expedição, e a antropóloga Hila May informaram que cerca de 90% dos indivíduos tinham menos de 5 anos, sendo que mais de 70% tinham menos de 2 anos. Entre os restos analisados, foram identificados também de dois a oito indivíduos mais velhos, entre crianças maiores e jovens adultos.

Os pesquisadores utilizaram datação por radiocarbono, análise de cerâmica e estudos de estratigrafia para situar os sepultamentos no século V a.C., período em que Tel Azekah fazia parte da província persa de Yehud, estabelecida após a conquista da região pelo Império Persa.

A equipe informou que a cisterna foi originalmente escavada pelos cananeus para armazenamento de água e permaneceu em uso durante a Idade do Ferro. O local deixou de ser utilizado por volta de 586 a.C., após a conquista babilônica de Judá e a destruição de Jerusalém, sendo posteriormente reutilizado no período persa.

Os arqueólogos não identificaram sinais de trauma, queimaduras ou cortes nos ossos. Segundo a equipe, esses dados tornam improváveis hipóteses como violência, sacrifício ritual ou infanticídio. A análise das camadas de deposição também indicou que o local foi utilizado ao longo de cerca de um século, descartando a possibilidade de um único evento, como uma epidemia ou massacre.

Os pesquisadores sugeriram que a cisterna pode ter sido usada como local de sepultamento para bebês que morriam antes do desmame, etapa que, em sociedades antigas, costumava ocorrer entre os 2 e 3 anos de idade. Eles afirmaram que, nesse contexto, crianças que morriam antes desse período poderiam não ser consideradas membros sociais plenamente estabelecidos, o que influenciaria o tipo de sepultamento.

Oded Lipschits citou relatos bíblicos para contextualizar essa prática. Ele mencionou a passagem de 1 Samuel, na qual Ana mantém o filho Samuel consigo até o desmame antes de apresentá-lo no templo, e o relato de Gênesis 21, que descreve uma celebração realizada por Abraão após o desmame de Isaque. Lipschits afirmou que Samuel “não tinha identidade própria” antes dessa fase.

Apesar disso, os arqueólogos destacaram que as crianças não foram enterradas sem qualquer forma de reconhecimento. No local, foram encontrados objetos como jarros de cerâmica, ferramentas de pedra e pequenas joias, incluindo contas, brincos e anéis de cobre. Segundo a equipe, essas oferendas diferem das práticas funerárias destinadas a adultos no mesmo período.

Lipschits afirmou que a descoberta pode contribuir para esclarecer uma lacuna recorrente na arqueologia da região, já que escavações de períodos semelhantes raramente encontram restos mortais de bebês. Ele indicou que esse padrão pode estar relacionado a práticas funerárias distintas para crianças pequenas.

A equipe também mencionou achados semelhantes em outras regiões do mundo antigo. Em Astipália, na Grécia, foi identificado um cemitério com mais de 2.400 sepulturas de bebês, datadas entre os séculos VI e V a.C. Registros arqueológicos também apontam a presença de restos de bebês e fetos em poços nas cidades de Atenas e Messene, no Peloponeso, datados do século II a.C.

Os pesquisadores diferenciaram esses sepultamentos de práticas de descarte deliberado ou rituais, como os restos encontrados em um esgoto sob um bordel romano em Ashkelon e os ossos cremados de crianças em locais rituais cartagineses conhecidos como tophets.

Hila May afirmou que a descoberta reflete uma prática social específica da época. Ela declarou: “Acho que esse costume funerário é mais uma questão social, diz respeito ao papel da pessoa na sociedade e à idade em que ela era considerada um membro pleno da sociedade”.

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